A Sardenha engana no mapa. Parece uma ilha para percorrer em três dias e é, na prática, um território do tamanho de um estado pequeno, com estradas de montanha, vilarejos isolados e praias que exigem desvio. Dez dias permitem conhecer as quatro caras dela sem passar a viagem inteira dirigindo.
Como chegar e por que alugar carro
Os três aeroportos são Olbia (norte), Alghero (noroeste) e Cagliari (sul). A escolha muda o roteiro: entrar por um e sair por outro evita refazer caminho. Balsas saem da Itália continental e da Córsega e levam carro — útil para quem já está viajando pela Europa de automóvel.
Carro não é conforto, é necessidade. O transporte público conecta cidades, não praias, e as enseadas mais bonitas ficam no fim de estradas estreitas sem linha de ônibus.
Dias 1 a 3 — o norte
Base em Olbia ou arredores. É daqui que se visita a Costa Smeralda, com suas enseadas de água clara e vilarejos construídos para o turismo de luxo, e de onde saem os barcos para o arquipélago de La Maddalena — um dia inteiro entre ilhotas, com paradas para nadar.
O norte é a parte mais cara e mais movimentada da ilha em julho e agosto. Fora desses meses, esvazia e fica muito mais agradável.
Dias 4 e 5 — Alghero e a costa oeste
Alghero tem centro histórico murado, influência catalã na língua e nas placas, e um passeio à beira-mar que rende o fim de tarde. Nos arredores, Capo Caccia e as grutas acessíveis por escadaria ou por barco.
Descendo a costa, Bosa aparece como uma fileira de casas coloridas às margens de um rio, com um castelo no alto. A estrada entre as duas cidades é uma das mais bonitas da ilha — e pede tempo, porque é curva atrás de curva.
Dias 6 e 7 — o interior
É a parte que a maioria pula, e é onde a Sardenha deixa de parecer qualquer outro destino de praia do Mediterrâneo. Aqui estão os nuraghes, torres de pedra construídas na Idade do Bronze e espalhadas aos milhares pela ilha; o conjunto de Barumini é o mais conhecido e tem visita guiada.
Vilarejos como Orgosolo, coberto de murais políticos pintados nas fachadas, e a região de Barbagia mostram a cultura pastoril que sustentou a ilha por séculos. A gastronomia muda junto: entra cordeiro, queijo de ovelha, pão carasau e vinho tinto encorpado.
Dias 8 a 10 — o sul
Cagliari é a capital e merece um dia inteiro: bairro histórico no alto da colina, mercado municipal e restaurantes que não dependem do calendário turístico. Ao redor, as praias de Villasimius a leste e de Chia a oeste, mais largas e menos concorridas que as do norte.
Se sobrar tempo antes do voo, o Golfo di Orosei, na costa leste, tem enseadas alcançáveis só de barco ou por trilha — uma delas com número limitado de visitantes por dia.
Quando ir
Maio, junho e setembro são os melhores meses: mar já quente, dias longos e nenhuma das filas de agosto. Julho e agosto concentram o turismo italiano, os preços dobram e algumas praias passam a exigir reserva paga com antecedência. Entre novembro e março, boa parte da estrutura da costa fecha.
Três avisos práticos
- Praias com limite de visitantes precisam de reserva online feita dias antes — confirme antes de sair do hotel.
- Balsas e carros alugados esgotam no verão; reserve junto com a passagem.
- Postos de combustível são raros no interior. Não desça da montanha com o tanque na reserva.
Quer esse roteiro com carro, hospedagens e passeios já reservados? Conte para a gente as suas datas.